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Out 07

Não se encontra loja mais barata que a Pérola de Macau. Tem de tudo: coisas úteis e inúteis, habituais e exóticas, toscas e delicadas. Por isso, na Véspera de Natal, formam-se bichas apressadas mas hesitantes nos seus dois corredores, entre as estantes atafulhadas.

Até ao início das férias era um casal de chineses recém chegados que atendia os fregueses. Sabiam uma dúzia de frases em português que misturavam com gestos e sorrisos.

-Que quele? Pode vele.

Faziam as contas nas costas de um papel impresso com orientais e apresentavam-nas aos clientes, silenciosos.

Mas em meados de Dezembro meteram o sobrinho, que anda na escola, como ajudante. Na verdade é ele que orienta a loja. Magrinho, com olhos em bico, parece movido a electricidade. Recebe as pessoas á porta, condu-las até á prateleira das molduras, das velas, das porcelanas faz sugestões, indica preços.

 

O seu nome era Yang Shu, e tal como os tios, não falava Português, apenas sabia algumas expressões.

O seu sonho era ser Português e casar em Portugal.

Era Yang Shu quem dava todo o lucro á loja, Mal as pessoas entravam, ficavam automaticamente maravilhadas com o seu sorriso. Via-se nos olhos dele que trabalhava ali por gosto.

Certo dia, entrou na loja uma rapariga lindíssima, de seu nome Inês, que tal como as outras pessoas ficou maravilhada com tal simpatia, mas não foi apenas isso que ela sentiu quando o viu, teria ela encontrado o seu príncipe?

Passou a ser um hábito, para Inês ir àquela loja, todos os dias, por volta das 10h:00 da manhã lá estava ela a cumprimentar Yang Shu, e como já eram amigos muito íntimos, a contar-lhe que tinha sonhado com ele. Via-se que tal como Inês, Yan Shu estava a ficar apaixonado.

Até que chegaram a um dia, em não podiam esconder mais o que sentiam um pelo outro.

Apôs 3 anos de namoro, Yang Shu pediu Inês em casamento. Esta ficou contentíssima, mas também quem não ficaria feliz por casar com um rapaz daqueles. Quem não achou tanta piada foram os pais da futura noiva, nunca aceitaram a ideia da filha namorar com um Chinês, para eles aquilo era uma afronta, pois achavam que os Chineses vinham para Portugal apenas com a ideia de um dia mais tarde se apoderarem do nosso país. Por estas por outras razões, Inês ficou proibida de ver Yang Shu. Nesse dia Inês trancou-se no quarto e chorou toda a noite, até que ouviu o barulho de pedras a caírem na varanda e foi a correr abrir a porta, desta mesma. Ainda com os olhos lavados em lágrimas, ergueu a cabeça e deparou-se com Yang Shu, correu para junto dele, e saltou para os seus braços, por sua vez Yang limpou-lhe as lágrimas e sugeriu que ela fugisse com ele para a China, lá poderiam ser felizes, sem ninguém a interferir na sua relação. Inês lembrou-se imediatamente que Yang tinha como desejo ser português e casar em Portugal, e colocou essa questão ao seu noivo. Yang Shu não pensou duas vezes e disse logo abdicar de todos os seus sonhos por ela, mas que nunca venderia a sua loja, pois foi naquele local que ambos se conheceram, nem que para isso tivesse que contratar algum empregado para tomar conta da loja. Assim, Inês aceitou o pedido de Yang e fugiu com ele para a China deixando os seus pais sem informações acerca do seu paradeiro, estes passaram a vê-la apenas uma vez por ano, quando ela e Yang iam verificar o estado e o rendimento da loja.

   

 


O que acham dos meus posts.... :D:
ola...piminha querida.
este texto esta muito fofo como tu.....
tens mesmo creatividade para composiçoes
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